Postagens

Imagem
MANIFESTO DA REVOLTA (ou estatuto do poema) &. Enquanto a distância ainda for imensurável - enquanto o pão ainda for indivisível; &. Enquanto a injustiça ainda for intolerável - enquanto o futuro ainda for imprevisível; &. Enquanto a fome ainda for insaciável - enquanto o desejo ainda for irresistível; &. Enquanto a verdade ainda for inacreditável - enquanto o passado ainda for inesquecível; &. Enquanto o receio ainda for inevitável - enquanto a certeza ainda for inflexível; &. Enquanto o pecado ainda for imperdoável - enquanto o mal ainda for irreversível; &. Enquanto a sentença ainda for irrevogável - enquanto o gosto ainda for indiscutível; &. Enquanto a notícia ainda for impublicável - enquanto o silêncio ainda for inexprimível; &. Enquanto a dor ainda for insuportável - enquanto a mulher ainda for inacessível; &. Enquanto a ofensa ainda for irretratável - enquanto a pessoa ainda for insubstituível; &. Enquanto a ausência ainda for ...
Imagem
SÃO LUÍS E O TURISMO CULTURAL O gestor público pode até fingir que ignora estudos, pesquisas, estatísticas e dados brutos. No entanto, é muito difícil esconder os fatos do cidadão comum, sobretudo hoje que o acesso à informação através dos meios digitais e virtuais retirou das mãos dos gestores públicos o monopólio do conhecimento sobre todas as áreas da gestão. Vamos tratar aqui do turismo como uma indústria viável, uma solução econômica para o Maranhão, uma vez que, inegavelmente, trata-se de um estado que, como poucos, apresenta todas as condições naturais e históricas para tornar-se uma das maiores potências turísticas do Brasil e, quiçá, do mundo. O fato é que o turismo é, hoje, uma das atividades econômicas mais importantes desde a virada para o século XXI. O turismo, sozinho, é o responsável pela geração de 10% ou mais do PIB mundial, sobretudo quando falamos das atividades primárias, aquelas diretamente relacionadas com este setor. Por todas estas razões, o turis...
Imagem
A DESCOBERTA Na superfície deste poema descubro a matéria espúria, as suas flores de aço e náusea, as frementes mãos em fúria; descubro também toda inércia com que limo versos e pedras, enquanto o verbo cresce do barro de toda palavra, espanto e treva; descubro toda a fome sórdida da morte que nos rói, eterna, em toda a carne que apodrece; cadáver que anda sobre a terra; descubro todo ódio em cântaros, o amargo ácido de toda fruta queimando as vísceras do nada, rasgando o útero à força bruta; descubro o meu canto, esta fala que vem após a fala, a folhagem, as plumas do absurdo, o desvario, o véu de incêndio da linguagem; descubro a cegueira e vejo, extático, o corpo natimorto do silêncio; um deus sem dentes à boca do eterno e, através do vácuo, o nada suspenso; descubro também toda a paisagem além do breu de qualquer manhã: eis-me novamente eterno e jovem, novo Adão para a mesma maçã; descubro a graça, bofete na cara, o nocaute de Deus, pos...
Imagem
A QUESTÃO DO COMÉRCIO POPULAR EM SÃO LUÍS Cada vez que viajo para São Luís, minha cidade natal, retorno de lá com um sentimento de pesar e indignação muito grande. Espero, a cada viagem, encontrar uma cidade melhor, mais justa e humana, mais bela e salutar, sobretudo no que diz respeito ao desenvolvimento humano em geral, com a diminuição da terrível desigualdade social que faz de São Luís uma das cidades mais segregadas do país. Não conto, decerto, nenhuma novidade aos maranhenses que já estão acostumados com viagens para fora da capital maranhense, e com certeza comparam as cidades entre si, mesmo considerando as belezas naturais e a intensa vida cultural e importância histórica e arquitetônica da velha urbe ludovicense. No entanto, torna-se difícil ostentar orgulho ao ver o que acontece com o patrimônio histórico de São Luís, cada vez mais agredido e vandalizado, por um vasto complexo de fatores. Nesta crônica, por enquanto, vou me ater somente a um deles, que co...
Imagem
A MORTE DO POEMA I Adianta compor um poema enquanto o dia amanhece (e o cadáver rútilo do nada esplende sobre o tédio), se o poema que agora fazes não é flor, mas fezes, ânus do que é talvez a poesia quando o mundo é sede, fome? Um poema se faz, talvez, de umas poucas palavras impossíveis de qualquer fala, pois que surdas, côncavas, mortas, na página em branco. Ei-lo, tornado em palavra nestes escassos versos. Adianta, então, o poeta neste exercício diário desenrolar a linguagem, a língua do poema? Enquanto o poema não nasce, cavas a carne do verso cuja forma, cristalina, reluz, mas não aquece.  II Este poema nasce destas minhas mãos, rudes e escassas e, todavia, limpas; a palavra, exata, suas formas exíguas no exíguo espaço; mas tão concentradas, límpidas, concisas (seu difícil marfim à flor da língua); ei-la, sem dentes. Este poema líquido te ensina o verso...